Truão diurno

Deambulo falsificado sob a luz primaveril, meu foice temível

Que outrora era uma ânsia de ondulada fé…

Crispado, sisudo não tenho de minha máscara dó…

Sou sujo enquanto transparente, por isso renasço na verdade enquanto ausente de toda a gente,

Onde não me olham, não me sinto só…

E só neste momento, suspiro de alívio…

Pois sob aquela luz de solstício, apago-me num martírio de não ser livre de meus ais, circular percurso, na minha solidão já não estou difuso…

Ponte

Raro e precioso enquanto a gratidão enaltece o aleatório…

Para duas margens paralelamente distintas, houve o erro excelso

Da construção duma Ponte.

Deambulando…

Evasão – Urgente Viagem em ascensão de nossos silenciosos aposentos e por que não?

Se através dos nossos passos há tropeções e embaraços e não alcançamos o que na névoa dispersa, cada vez mais distante, cada vez mais esbotado, murmúrio do impossível…

Em teus olhos, eu estou de fora o que não me existe e se me assistes em mísera pena,

Lamento que me desconheces,

Se tu soubesses, se tu soubesses…

Abismo

Somente os sonhos permanecem redondos, esféricos e retidos, inevitávelmente pesarosos à beira dum colossal Abismo.

Em vão te idolatrei…

Para que tiveste esse teu insano intento

Em abandonares meu coração sedento

Daquela proferida Utópica e Doce Mentira?

Não digo.

Rendido detenho-me em silêncio

Acomodado ao tormento daquele Sonho

Não esquecido…

E o que sonhei para ficar assim retido?

Não digo!

O silvar por detrás

Entro e saio pela mesma porta defronte onde não tem jibóias por isso como poderei lamentar ou revoltar-me pelo som se no quintal é que se aduba com veneno a aparência do meu jardim frontal? Só posso ser conveniente, permanecer em silêncio para o que trama e se esconde, eu testemunho o estonteante silvar que entorpece os meus sentidos vindo em diâmetro na parte sombria do Edifício e fico em ruína por denunciar o que é insano e febril paranóico sou o desvairo do que estou para entretenimento, não há o óbvio da retina sob a Luz que me fascina e que sempre ofuscou a Fachada.

E pela plateia sou a inconveniência, devo esquecer e permanecer tambem surdo…

Mas…Não posso contornar a morada do meu Templo, onde entro e saio é a única porta debruçada no florido jardim e um pouco adiante aquele Horizonte tão desejado, incógnito e adiado…

Silêncio comedido desbrava evitável aversão

Quiseste ir além até seres empurrado…Evita esse aborrecimento contornável sem permaneceres surpreendido pela prostração que te fez refém.Caminha em teu silêncio pelos teus passos esclarecido, iluminas a floresta mais confusa sem tropeçares e fazeres ruído pois a palavra tal como o pensamento foram sempre tão velozes como o vento que derruba árvores num momento.

Sair à rua.

-Acredita primo – ele não é o que aparenta.

– Porque dizes isso?

– Nós saimos a rua, estamos a dar um passeio em nossos passos, nada apressado, natural como andamos descalços em casa e existe a necessidade da balança, para tristes vidas há a ilusão que são felizes para as pessoas em redor que se cruzam e vão embora com alguma ideia, tal como a ilusão é passageira nada perdura até que se chega a hora de regressar a casa por isso há a necessidade de sair à rua, pois se visses o quarto em que ele habita…não é o que ele veste e aparenta por aí na aldeia…

Entretenimento viscerial para plateia hedionda

Neste espaço imenso que habita pesado e redondo vazio, não há liberdade linear para aspirar leve alguma louca fantasia de amor…

O vácuo só comporta para ser fatal, quando inalado morre-se sufocado.

Amor Ideal, apenas para pensar nesta distância inalterável que só assim se permite, quem consagra o seu amor, em ódio alheio visceral é consumido antes que as mãos se aproximem em seu entrelaçar tão aguardado…distante e do lado, inconbível tão de perto para se estar ao seu lado…